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Cair da Folha

Talvez poesia, talvez nada. Um sondar d'alma e pouco mais

Cair da Folha

Talvez poesia, talvez nada. Um sondar d'alma e pouco mais

18.09.21

Quando o Outono chegar

Folhas Soltas
    Quando o Outono chegar... Quero voltar ao Tâmega e respirar, o ar das suas margens. Encher de verde os olhos Lavar a saudade naquele leito, imperfeito Que serpenteia... Por terras adentro, montanha afora. Falta um punhado de dias, para ser Outono! Noites de insónia, ou de farto sono. Mas... Quem mo dera já! A correr lá fora. A chamar por mim... Vamos lá, embora! Quero atravessar o Douro. Falar com o Mondego. Regressar ao Tejo e ao meu aconchego. No dia a seguir, porque o (...)
15.09.21

Vivo por ti.

Folhas Soltas
          Acordaste-me para a vida para depois me abandonares e abraçar o sono eterno. E foi tão curto o tempo que tivemos juntos... Para quê acordares-me desse sono profundo, que dormimos todos  no ventre do mundo? Ensinares-me a caminhar, a comer, a valer-me? Por que razão me levaste à escola. Zelaste por mim à noite? Iludiste, durante anos, dizendo e mostrando que a vida vale a pena... Se sabias que permanecer para sempre, era-te impossível? E ainda assim... Desse (...)
14.09.21

Auto de Fé

Folhas Soltas
      Nesta bolha onde vivo O sol distraído, foi na maldição apanhado. Sujeito ao triste castigo de brilhar dia, após dia... Ainda que esteja cansado. O tonto podia fugir, mas de cabeça no ar Deixou a oportunidade passar e agora querendo ir... Ninguém o deixa partir. Há um castigo expiar! Oiço que troveja no sul. A norte o diabo anda à solta! Olho e volto a olhar. Esfrego e volto a esfregar, os olhos com veemência... Mas só o vejo brilhar. E nada de turbulência.   Já (...)
14.09.21

O que a natureza deu

Folhas Soltas
      Da curva do teu pescoço. Deslizei até ao torso e aterrei mais abaixo. Onde o sol já ia alto e o fruto intumescido Estava pronto a ser colhido Com aspecto belo e lustroso, e o sabor que eu gosto. E dentro de mim, houve festa! Num ir e vir excitado. O rosto corado de gozo, na pele um travo salgado. Desci e subi sem ter conta, do fundo ao cimo de ti. Colectando o doce fruto, que logo ali descasquei e com regalo comi.   De barriga cheia e ensonada, fiquei na sombra deitada. (...)
14.09.21

Escritas Enteadas

Folhas Soltas
    O que escrevemos com coração para alguns, não vale uma vírgula. Pode estar cheio do mais íntimo e sincero que não beliscará o leitor. É preciso estar próximo de quem escreve para poder compreender o que está escrito. Criar um elo mínimo com quem se expressa para entender ou perdoar-lhe o atrevimento de expor-se. Um estranho não se demora a destrinçar sentidos, nem os sentimentos do que lê, escrito pelo punho de quem não "lhe" é nada. De alguém que desgosta. De quem, (...)
13.09.21

Não me rasgues o silêncio

Folhas Soltas
    Não me chames pelo nome! Nem me acenes com a mão. Não roubes a solidão, nem me rasgues o silêncio, buscando a minha atenção. Prescindi de ser a que citas. Reconhecer-me nas certidões. Uma... entre multidões. Que vocifera e esbraceja, para afirmar que está viva e ainda tem emoções. Entretenho-me a ver os dias, desfiarem até ser escuro. Sorvendo o cheiro a maresia e vendo as folhas voar. Fiando letras de fumo, como se possuísse um tear Não apontes a minha sombra. (...)
13.09.21

Prazeres Sensoriais

Folhas Soltas
        Creio não cair no ridículo ao afirmar que cozinhar é um prazer sensorial tão grande como o sexo. Talvez cúmplices, quando um conduz ao outro e proporciona ainda mais gozo se, qualquer deles, é feito com esmero! Com entrega e, em simultâneo, abandono. Todos os sentidos despertos. Reinventando e sem medo de experimentar. Ir além... Quando tocamos com a ponta dos dedos, espalhando óleo numa superfície, para tender massa, por exemplo; o sentir a textura da mesa, a maciez (...)
12.09.21

Fala-me da Chuva

Folhas Soltas
    Deixa tudo para depois. Fala-me da chuva. Da erva molhada. Dos pés nus, nas poças da estrada. Da despedida das aves. Do sorriso das flores. Quando cai sobre elas, uma chuveirada. Fala-me das nuvens. Para aonde vão? Dos gritos do vento, a chamar o trovão. Dos cães abandonados que mesmo, encharcados continuam fiéis Porque a Lua se parece tão branca e redonda, com um requeijão? Fica calado, sentado ao meu lado. Conversando com os olhos, de mãos entrelaçadas. A vermos (...)
12.09.21

Elogio ao Outono

Folhas Soltas
      Tu que vês o Outono assomar nos outeiros... Ainda o resto da humanidade coroa de louros o Verão. Que percebes nos caminhos, os passos certinhos do veado nos montados, quer de sobro, quer de azinho. Procurando a par ou sozinho, a bolota caída no chão. Os frutos vermelhos tombados e os ouriços estalados,  das castanhas entre a folhagem. Que teces preces a Gaia e já preparas Mabon! Também és toda neblina.  Gota de orvalho ao crepúsculo... E cacimba matutina.  
11.09.21

Lençol de Letras

Folhas Soltas
        Entre o copo e o cigarro, que não costumo consumir. Uma mesa a um canto, para escrever nas paredes, botar na mesa e no banco o que tenho para dizer...   Encher um lençol de letras, vendo nele uma folha em branco. Numa cama por estrear, a milimétrica candura  da noiva por desvirginar, que casa, mas não vai pura.   Tudo o que falta fazer no espaço das palavras, como se pudesse caber numa frase jamais escrita, digam-me algo que não oiça! Porque a minha "obra" está feita... (...)